Pode
um doublé de empresário e de agente fardado da polícia militar atuar com
isenção, durante uma campanha eleitoral se ao mesmo tempo aluga equipamentos de
sua propriedade a uma das duas coligações que disputam a prefeitura de um
município? Esta é a indagação que muitos moradores de Caiçara do Rio do Vento
se fazem desde que souberam, há duas semanas, que pertence ao sargento Bicudo
um dos equipamentos de som utilizados pelo grupo partidário situacionista.
Alguns
caiçarenses supõem que pertence ao sargento uma Kombi de som que zoa em sua
cidade desde o início da presente campanha eleitoral. Ela normalmente é
utilizada em São Paulo do Potengí e Riachuelo, e apareceu em Caiçara do Rio do
Vento depois do início da presente campanha eleitoral. É, de longe, também, o
veículo que emite os mais elevados volumes de som, até porque, como atestam
leitores do Diário de Caiçara do Rio do
Vento, o sargento nunca exigiu aos operadores do veículo a medição com o
delibelímetro que parece empregar quando se trata de enquadrar adversários.
Inexiste
dúvida, porém, segundo dizem, quanto à propriedade de um forte “paredão de som”
empregado pela campanha vetorizada pelo Dem, o partido dos “bicudos”, no
linguajar político dos caiçarenses. Quem já contratou o serviço do equipamento
assegura que oficialmente o dono é um “laranja” a serviço do sargento e que
este é um dos mais ricos agentes da Polícia Militar em todo o Rio Grande do
Norte.
A
locação dos equipamentos seria apenas um dos muitos vínculos que moradores de
Caiçara do Rio do Vento condenam na relação entre o sargento Bicudo e a
candidatura da terapeuta ocupacional Conceição de Maria Lisboa da Rocha à
prefeitura local pelo Dem.
O
que mais os preocupa no empenho com que o sargento estaria procurando favorecer
sua coligação é a forma atrabiliária com que investe contra eleitores e líderes
do PMDB. Ele aborda transeuntes peemedebistas que transitam em paz na via
pública para dizer que se não andarem na linha prenderá e baterá em seus
corpos.
Quando
o PMDB programa um comício, ele arranja como atrapalhar o evento, usando o seu
poder e também o do juízo eleitoral de Lajes, que tem jurisdição também sobre
Caiçara do Rio do Vento e, ingenuamente, faz o jogo do sargento.
Há
poucas semanas, por exemplo, bastou um telefonema extemporâneo do sargento para
a juíza de Lajes, dizendo-lhe que o PMDB não lhe havia informado sobre a
realização de passeata e comício para dali a poucas horas, para a juíza Valeria
Oliveira mandar, em ato oficial, sobrestar a programação.
Poucas
horas depois, pressionado por advogados e diante de cópia protocolada do ofício
em que o partido lhe havia comunicado seu projeto de ato público, o sargento,
com a cara mais amarela do mundo, admitiu que o papel havia sido perdido em sua
gaveta. Àquela hora, o reconhecimento não melhorou em nada a situação: já havia
passado a ocasião do evento e os eleitores mobilizados em torno deste já haviam
retornado a seus lares frustrados por não compartilharem um grande comício.
Postado às 14h14m de terça-feira 130402.
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