terça-feira, 2 de abril de 2013

Som utilizado em campanha pertence a sargento da PM



Pode um doublé de empresário e de agente fardado da polícia militar atuar com isenção, durante uma campanha eleitoral se ao mesmo tempo aluga equipamentos de sua propriedade a uma das duas coligações que disputam a prefeitura de um município? Esta é a indagação que muitos moradores de Caiçara do Rio do Vento se fazem desde que souberam, há duas semanas, que pertence ao sargento Bicudo um dos equipamentos de som utilizados pelo grupo partidário situacionista.
Alguns caiçarenses supõem que pertence ao sargento uma Kombi de som que zoa em sua cidade desde o início da presente campanha eleitoral. Ela normalmente é utilizada em São Paulo do Potengí e Riachuelo, e apareceu em Caiçara do Rio do Vento depois do início da presente campanha eleitoral. É, de longe, também, o veículo que emite os mais elevados volumes de som, até porque, como atestam leitores do Diário de Caiçara do Rio do Vento, o sargento nunca exigiu aos operadores do veículo a medição com o delibelímetro que parece empregar quando se trata de enquadrar adversários.
Inexiste dúvida, porém, segundo dizem, quanto à propriedade de um forte “paredão de som” empregado pela campanha vetorizada pelo Dem, o partido dos “bicudos”, no linguajar político dos caiçarenses. Quem já contratou o serviço do equipamento assegura que oficialmente o dono é um “laranja” a serviço do sargento e que este é um dos mais ricos agentes da Polícia Militar em todo o Rio Grande do Norte.   
A locação dos equipamentos seria apenas um dos muitos vínculos que moradores de Caiçara do Rio do Vento condenam na relação entre o sargento Bicudo e a candidatura da terapeuta ocupacional Conceição de Maria Lisboa da Rocha à prefeitura local pelo Dem.
O que mais os preocupa no empenho com que o sargento estaria procurando favorecer sua coligação é a forma atrabiliária com que investe contra eleitores e líderes do PMDB. Ele aborda transeuntes peemedebistas que transitam em paz na via pública para dizer que se não andarem na linha prenderá e baterá em seus corpos.
Quando o PMDB programa um comício, ele arranja como atrapalhar o evento, usando o seu poder e também o do juízo eleitoral de Lajes, que tem jurisdição também sobre Caiçara do Rio do Vento e, ingenuamente, faz o jogo do sargento.   
Há poucas semanas, por exemplo, bastou um telefonema extemporâneo do sargento para a juíza de Lajes, dizendo-lhe que o PMDB não lhe havia informado sobre a realização de passeata e comício para dali a poucas horas, para a juíza Valeria Oliveira mandar, em ato oficial, sobrestar a programação.
Poucas horas depois, pressionado por advogados e diante de cópia protocolada do ofício em que o partido lhe havia comunicado seu projeto de ato público, o sargento, com a cara mais amarela do mundo, admitiu que o papel havia sido perdido em sua gaveta. Àquela hora, o reconhecimento não melhorou em nada a situação: já havia passado a ocasião do evento e os eleitores mobilizados em torno deste já haviam retornado a seus lares frustrados por não compartilharem um grande comício.  
Postado às 14h14m de terça-feira 130402.

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