Juíza designa quem deve comandar a polícia em Caiçara.
Casada
com o cirurgião dentista Wedena Oliveira, contratado ilegalmente pela
prefeitura de Caiçara do Rio do Vento, conforme denúncia formulada em 2.012
pelos atuais mandatários do governo local, a juiza Gabriela de Oliveira criou
uma nova forma de oferecer proteção à população, o policiamento espasmódico, ao
interferir ilicitamente na designação, pela Polícia Militar, de quem deve
chefiar o destacamento local da corporação.
Ao
ser informada, pelo comando do Grupo Tático Operacional (GTO) da Polícia
Militar que o comandante da corporação, coronel Francisco Araújo, havia
designado um oficial para substituir o sargento Bicudo à frente do pequeno
destacamento de Caiçara do Rio do Vento, a magistrada exigiu que este
permanecesse no comandando, cabendo ao oficial apenas comandar sua equipe
durante eventos especiais.
Ferindo a interdependência constitucionalmente atribuída aos poderes executivo, legislativo e judiciário, a imposição pela juíza abre um precedente capaz de sugerir que, daqui por diante, o comandante da Polícia Militar possa nomear o responsável pela comarca de Lajes.
DUAS POLÍCIAS
Na
prática, como se viu de sexta-feira passada até esta quinta-feira, 28, hoje,
Caiçara do Rio do Vento conta com dois tipos de policiamento. Por ocasião de um
comício, há um policiamento exemplar, cidadão, que protege todos os segmentos
da população sem intimidar nem tentar “enquadrar” – no pior dos sentidos –
qualquer pessoa. É o comando exercido por um oficial orientado pessoalmente pelo
coronel Araújo para agir com a impessoalidade exigida à Polícia Militar.
Nos
dias comuns, porém, o comando e o policiamento exibem o comportamento atrabiliário
de um sargento que se gaba de ser “bicudo”, ou seja, integrar o grupo político
que disputa a prefeitura a prefeitura de Caiçara do Rio do Vento no próximo dia
7. Na verdade, basta o oficial do GTO viajar rapidamente a João Câmara, onde
tem sede seu destacamento, para o sargento mostrar o aparelhamento da polícia
fardada a uma coligação eleitoral.
ABUSOS CONTRA “PAREDÃO”
No
sábado e no domingo últimos, por exemplo, ele aproveitou dois momentos destes
para, contraditoriamente, admoestar os que considera seus adversários. Na tarde
de sábado, mandou apreender um “paredão de som” que havia acabado de chegar a
Caiçara do Rio do Vento para prestar serviços numa passeata e comício do PMDB.
Quando
advogados a serviço da legenda procuraram liberar o veículo, Bicudo disse que
só o havia apreendido para fixar os limites do volume de som que poderia
utilizar na cidade. Bicudo jamais impôs qualquer tipo de controle aos carros de
som que operam em Caiçara a serviço do Dem. Um destes, por coincidência, segundo
se diz, pertence a um certo sargento bicudo que chefia policiais em Caiçara do
Rio do Vento.
Os
operadores do som aceitaram seus limites, apesar de o sargento não usar nenhum
decibelímetro e de inexistir na legislação municipal qualquer parâmetro para
este tipo de definição e aferição. E, para mostrar a Bicudo que não queriam
agir ao arrepio das normas, afixaram os botões de controle do som com fita
adesiva, a fim de que ninguém passasse dos decibéis chutados pelo policial.
Na
manhã seguinte, quando o mesmo “paredão de som” era usado numa reunião de
mobilização de bacuraus, apelido dado aos peemedebistas, o sargento Bicudo
apareceu no local, mandando desligar o dispositivo porque vizinhos haviam
reclamado de que fazia barulho demais.
Para
dar um ar de verdade a este argumento, antes de desembarcar no local o sargento
parou sua viatura em frente à casa de um eleitor do Dem. Quando chegou ao bar
em que os peemedebistas se reuniam, deixou entender que o dono daquela casa,
Antonio Pires, seria o autor da queixa contra o barulho. Ao dar ao Diário de Caiçara do Rio do Vento sua
versão sobre a abordagem pelo sargento, que lhe perguntou se a família havia
denunciado o barulho, uma filha de Pires garantiu que lhe respondeu negativamente.
MEDINDO COM O
CELULAR
Ainda
sem perceber que a “reclamação” era criação do Bicudo, os operadores do paredão
lhe mostraram na hora que os botões de controle continuavam tão lacrados quanto
na véspera – ou seja, o volume de som permitido para a noite do sábado era o
mesmo ouvido no domingo.
Ele
foi para o automóvel em que passeia sua empáfia pela cidade, pegou algo que
visto a poucos metros parecia ser um celular e fez de conta que se tratava de
um decibelímetro. Teria sido a primeira vez em que a medição do volume de som
em plena rua passaria a ser feita dentro de um automóvel, e não em pleno
ambiente em que se situa o instrumento emissor.
Quando
saiu do carro, com cara de alguém apanhado em flagrante, Bicudo disse que, na
verdade, o som estava nos limites do seu decibelímetro. Afetando curiosidade
tecnológica, os operadores do paredão de som lhe pediram para conhecer um
desses aparelhos de medir o volume de som. O sargento, porém, não permitiu que
chegassem perto do carro, onde estaria o decibelímetro, e muito menos tivessem
acesso a este.
Mesmo
contrafeito, Bicudo, assim chamado porque se jacta de servir ao Dem, exigiu que tirassem dali o paredão de som, o que foi feito
imediatamente.
Até
esta quinta-feira, 28, hoje, o destacamento policial de Caiçara do Rio do Vento,
normalmente entregue a três homens fardados, um cabo e dois soldados, nunca
teve o privilégio de conhecer um desses aparelhinhos.
Postado às 16h12m de quinta-feira 130328.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
comente ...