quinta-feira, 28 de março de 2013

Juíza impôs policiamento espasmódico a Caiçara


 
Juíza designa quem deve comandar a polícia em Caiçara.
Casada com o cirurgião dentista Wedena Oliveira, contratado ilegalmente pela prefeitura de Caiçara do Rio do Vento, conforme denúncia formulada em 2.012 pelos atuais mandatários do governo local, a juiza Gabriela de Oliveira criou uma nova forma de oferecer proteção à população, o policiamento espasmódico, ao interferir ilicitamente na designação, pela Polícia Militar, de quem deve chefiar o destacamento local da corporação.
Ao ser informada, pelo comando do Grupo Tático Operacional (GTO) da Polícia Militar que o comandante da corporação, coronel Francisco Araújo, havia designado um oficial para substituir o sargento Bicudo à frente do pequeno destacamento de Caiçara do Rio do Vento, a magistrada exigiu que este permanecesse no comandando, cabendo ao oficial apenas comandar sua equipe durante eventos especiais. 
Ferindo a interdependência constitucionalmente atribuída aos poderes executivo, legislativo e judiciário, a imposição pela juíza abre um precedente capaz de sugerir que, daqui por diante, o comandante da Polícia Militar possa nomear o responsável pela comarca de Lajes.  
DUAS POLÍCIAS
Na prática, como se viu de sexta-feira passada até esta quinta-feira, 28, hoje, Caiçara do Rio do Vento conta com dois tipos de policiamento. Por ocasião de um comício, há um policiamento exemplar, cidadão, que protege todos os segmentos da população sem intimidar nem tentar “enquadrar” – no pior dos sentidos – qualquer pessoa. É o comando exercido por um oficial orientado pessoalmente pelo coronel Araújo para agir com a impessoalidade exigida à Polícia Militar.
Nos dias comuns, porém, o comando e o policiamento exibem o comportamento atrabiliário de um sargento que se gaba de ser “bicudo”, ou seja, integrar o grupo político que disputa a prefeitura a prefeitura de Caiçara do Rio do Vento no próximo dia 7. Na verdade, basta o oficial do GTO viajar rapidamente a João Câmara, onde tem sede seu destacamento, para o sargento mostrar o aparelhamento da polícia fardada a uma coligação eleitoral.
ABUSOS CONTRA “PAREDÃO”
No sábado e no domingo últimos, por exemplo, ele aproveitou dois momentos destes para, contraditoriamente, admoestar os que considera seus adversários. Na tarde de sábado, mandou apreender um “paredão de som” que havia acabado de chegar a Caiçara do Rio do Vento para prestar serviços numa passeata e comício do PMDB.
Quando advogados a serviço da legenda procuraram liberar o veículo, Bicudo disse que só o havia apreendido para fixar os limites do volume de som que poderia utilizar na cidade. Bicudo jamais impôs qualquer tipo de controle aos carros de som que operam em Caiçara a serviço do Dem. Um destes, por coincidência, segundo se diz, pertence a um certo sargento bicudo que chefia policiais em Caiçara do Rio do Vento.
Os operadores do som aceitaram seus limites, apesar de o sargento não usar nenhum decibelímetro e de inexistir na legislação municipal qualquer parâmetro para este tipo de definição e aferição. E, para mostrar a Bicudo que não queriam agir ao arrepio das normas, afixaram os botões de controle do som com fita adesiva, a fim de que ninguém passasse dos decibéis chutados pelo policial.
Na manhã seguinte, quando o mesmo “paredão de som” era usado numa reunião de mobilização de bacuraus, apelido dado aos peemedebistas, o sargento Bicudo apareceu no local, mandando desligar o dispositivo porque vizinhos haviam reclamado de que fazia barulho demais.
Para dar um ar de verdade a este argumento, antes de desembarcar no local o sargento parou sua viatura em frente à casa de um eleitor do Dem. Quando chegou ao bar em que os peemedebistas se reuniam, deixou entender que o dono daquela casa, Antonio Pires, seria o autor da queixa contra o barulho. Ao dar ao Diário de Caiçara do Rio do Vento sua versão sobre a abordagem pelo sargento, que lhe perguntou se a família havia denunciado o barulho, uma filha de Pires garantiu que lhe respondeu negativamente.
MEDINDO COM O CELULAR
Ainda sem perceber que a “reclamação” era criação do Bicudo, os operadores do paredão lhe mostraram na hora que os botões de controle continuavam tão lacrados quanto na véspera – ou seja, o volume de som permitido para a noite do sábado era o mesmo ouvido no domingo.
Ele foi para o automóvel em que passeia sua empáfia pela cidade, pegou algo que visto a poucos metros parecia ser um celular e fez de conta que se tratava de um decibelímetro. Teria sido a primeira vez em que a medição do volume de som em plena rua passaria a ser feita dentro de um automóvel, e não em pleno ambiente em que se situa o instrumento emissor.
Quando saiu do carro, com cara de alguém apanhado em flagrante, Bicudo disse que, na verdade, o som estava nos limites do seu decibelímetro. Afetando curiosidade tecnológica, os operadores do paredão de som lhe pediram para conhecer um desses aparelhos de medir o volume de som. O sargento, porém, não permitiu que chegassem perto do carro, onde estaria o decibelímetro, e muito menos tivessem acesso a este.  
Mesmo contrafeito, Bicudo, assim chamado porque se jacta de servir ao Dem, exigiu que tirassem dali o paredão de som, o que foi feito imediatamente.     
Até esta quinta-feira, 28, hoje, o destacamento policial de Caiçara do Rio do Vento, normalmente entregue a três homens fardados, um cabo e dois soldados, nunca teve o privilégio de conhecer um desses aparelhinhos.
Postado às 16h12m de quinta-feira 130328.

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