Botões que regulam altura do som estavam na posição
em que o Bicudo fixou.
Durou
pouco o período em que a polícia militar mostrou respeito à cidadania em
Caiçara do Rio do Vento. Na tarde deste domingo, mostrando que reverteu ordens
do comandante geral da corporação, coronel Francisco Araújo, o Sargento lotado
em Caiçara que se orgulha de ser “Bicudo”, isto é, vinculado ao Dem, voltou a
admoestar jovens ligados ao PMDB que se sentiram tratados como gente durante a
noite passada, durante comício promovido por seu partido, quando a segurança
foi prestada por policiais trazidos de João Câmara.
Segundo
denuncia trazida ao Diário de Caiçara do Rio do Vento, induzido por
correligionários, o “Sargento Bicudo”, como mencionam o policial, voltou a
tentar inibir a utilização de serviço móvel de som por partidários da campanha
de Arnaldo Acioli à prefeitura local pelo PMDB sem haver nenhum motivo para
isto.
ORIENTAÇÃO DO
DEM
O
militar esteve na casa de um correligionário, conhecido como Antonio Pires, e
ao sair notou que um “paredão de som” estava funcionando num bar próximo, o
“Bar do Assis”, animando um encontro onde predominavam pessoas vinculadas ao
PMDB. Acercou-se do estabelecimento, dizendo que toda a vizinhança havia
reclamado contra o barulho, e terminou sendo persuadido quanto a uma adequação
que ele mesmo impusera, autoritariamente, na véspera.
Como
este blog informou ontem, ao saber que um paredão de som havia chegado a
Caiçara do Rio do Vento para ser utilizado pela campanha de Arnaldo Acioli,
acintosamente o Sargento Bicudo mandou auxiliares apreender o veículo, que
chegou a ser rebocado até o posto policial, onde permaneceu algumas horas, o
suficiente para que próceres do Dem o fotografassem como butim. Quando advogados a serviço de Arnaldo o
procuraram, o Sargento Bicudo disse que recolhera o paredão apenas para medir
seu volume de som e exigir que os responsáveis pelo veículo não excedessem a
medida então imposta.
NEM PERCEBEU
Bicudo
terminou sendo ridicularizado hoje porque os responsáveis pelo paredão de som lhe
mostraram que os botões que regulam a altura do equipamento estavam fixados nas
mesmas posições a que o militar os havia condenado ontem.
O
pior é que nas duas ocasiões o sargento não usou nenhum decibelímetro para
efetivamente medir o volume de som do PMDB. Como a ausência do instrumento
durante a avaliação feita ontem foi registrada pelo Diário de Caiçara do Rio do
Vento e em informação transmitida ao comando da polícia, na investida de hoje o
Sargento Bicudo fez menção de usar algum equipamento dentro da viatura em que
se mostra na cidade. Aos freqüentadores do Bar do Assis e ao dono do
estabelecimento, comerciante que normalmente expulsa dali quem faz barulho, o
Sargento Bicudo não permitiu compartilhar o “exame” realizado por seu “decibelímetro”.
Nas
duas ocasiões, enquanto ele amordaçava um partido, carros de som a serviço do
Dem zoavam à vontade pelas ruas de Caiçara. Ele e seu “decibelímetro, porém,
não os ouviram.
Tão
zeloso quanto ao som emitido pelos bacuraus, o sargento não se deu conta que,
pelo rodízio imposto à propaganda eleitoral deste ano pela juíza Gabriela de
Oliveira, titular da zona eleitoral de Lajes, com jurisdição sobre Caiçara do Rio
do Vento, os veículos de propaganda sonora a serviço do Dem não deveriam nem
ser ouvidos neste sábado. Como haveria comício do PMDB, só carros de som a
serviço deste partido poderiam trabalhar na sede do município.
Esta
conduta não surpreende exceto pelo desrespeito à garantia dada aos caiçarenses
pelo coronel Araújo de que a polícia militar não mais se subordinaria a partido
político. Nos dois sábados imediatamente anteriores a ontem, o Sargento Bicudo
intimidou o PMDB ao ponto de enganar a juíza, fazendo-a impedir que o partido
realizasse um evento de rua para o qual a legenda havia tomado todas as
providências exigidas pelas normas vigentes.
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(Postado às 19h59m de domingo 130324).
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