Uma
tradição muito antiga nos trás a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros
indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela
religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se
converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele
teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos.
Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à
qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita.
Ângelo
viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças
do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco
anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a
Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado
sacerdote.
Ainda
segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas
que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do
Carmelo, e depois imigraram para a Sicília.
Lá,
ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os sacerdotes, que se
tornaram santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, instante em que
previu e anunciou a sua morte como mártir de Jesus Cristo.
Dentre
seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que
manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele
conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de
pecados, até mesmo uma relação incestuosa com um rico senhor do lugar.
No
dia 5 de maio de 1220, Ângelo fez sua última pregação na igreja de São Tiago de
Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto, vítima daquele rico homem, que não se
conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o
assassinato.
Venerado
pela população, logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi
sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém
somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos
carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do
Carmo.
Santo
Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália,
depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias,
sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os
primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo
igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto, que
também chegou ao Brasil.
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