sábado, 18 de maio de 2013

Prefeitura não tem espaço com água para horta




Prefeita ameaça tirar o 
ganha-pão dos horticultores.
Se, como diz, pretende transferir para outro espaço do território do município a horta comunitária que tem evoluído satisfatoriamente sobre o leito úmido do rio dos Ventos, a prefeitura de Caiçara do Rio do Vento terá que investir muito para garantir o abastecimento regular, perene e suficiente de água aos horticultores que produz onde estão durante o ano inteiro, graças à irrigação do seu espaço.

O alerta parte dos próprios horticultores ameaçados de despejo e da perda do ganha-pão, acreditando na possibilidade da transferência territorial com que a municipalidade lhes acenou quando anunciou que erradicará a horta comunitária do leito do rio sob o pretexto de que paga muito pela água utilizada na irrgação daquele espaço.
CUSTO MENOR
A decisão de erradicar a horta comunitária existente há anos sobre o leito do rio dos Ventos foi adotada esta semana pela nova prefeita de Caiçara, terapeuta ocupacional Conceição de Maria Gomes Lisboa da Rocha, e comunicada aos horticultores pelo secretário municipal de Agricultura, servidor público Erasmo Carlos Scapini. Seu argumento é o de que a prefeitura não pode pagar à Companhia de Águas e Esgotos (Caern) pelo líquido empregado na irrigação das hortaliças. 
Aos ouvidos dos horticultores, o propósito de transferi-los soou estranho porque o leito do rio é o local onde a atividade necessita de menos líquido comprado à estatal Caern. Esta o traz da barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Itajá, através de um braço da adutora Sertão-Central Cabugi que se estende até à cidade de Riachuelo.
NUTRIENTES
Embora se trate de um curso temporário e não tenha voltado a se avolumar além da superfície no trecho em que se encontra a horta comunitária, o rio dos Ventos mantém umidade no subsolo durante todo o ano, o que reduz a exigência de água de outras fontes para a irrigação.
Além disso, acrescentam os horticultores, o solo do leito do rio é o que mais contém recursos que podem alimentar as plantas, graças aos nutrientes minerais e orgânicos que as cheias arrastaram para lá e por lá ao longo de décadas e mesmo séculos, a despeito de nos últimos vinte anos o fenômeno não se estar repetindo, devido aos barramentos feitos no curso anterior do caminho dágua.
PAGAR PELO POÇO
Para continuar a incentivar a horticultura comunitária, o município terá que não apenas continuar a comprar água à Caern, mas bancar a extensão de canais para que o líquido chegue até a área a ser plantada.
Caso prefira perfurar um poço com este objetivo, em lugar de usar a água da adutora, a prefeitura também terá de arcar com todo o investimento, pois não se habilitou a obter benefícios do projeto de instalação de equipamentos comunitários do programa “Água Para Todos”, do governo federal.  
Postado às 18h46m de sábado 130518.

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