Prefeita ameaça tirar o
ganha-pão dos horticultores. |
Se,
como diz, pretende transferir para outro espaço do território do município a
horta comunitária que tem evoluído satisfatoriamente sobre o leito úmido do rio
dos Ventos, a prefeitura de Caiçara do Rio do Vento terá que investir muito
para garantir o abastecimento regular, perene e suficiente de água aos
horticultores que produz onde estão durante o ano inteiro, graças à irrigação
do seu espaço.
O
alerta parte dos próprios horticultores ameaçados de despejo e da perda do ganha-pão, acreditando na
possibilidade da transferência territorial com que a municipalidade lhes acenou
quando anunciou que erradicará a horta comunitária do leito do rio sob o
pretexto de que paga muito pela água utilizada na irrgação daquele espaço.
CUSTO MENOR
A
decisão de erradicar a horta comunitária existente há anos sobre o leito do rio
dos Ventos foi adotada esta semana pela nova prefeita de Caiçara, terapeuta
ocupacional Conceição de Maria Gomes Lisboa da Rocha, e comunicada aos
horticultores pelo secretário municipal de Agricultura, servidor público Erasmo
Carlos Scapini. Seu argumento é o de que a prefeitura não pode pagar à
Companhia de Águas e Esgotos (Caern) pelo líquido empregado na irrigação das
hortaliças.
Aos
ouvidos dos horticultores, o propósito de transferi-los soou estranho porque o
leito do rio é o local onde a atividade necessita de menos líquido comprado à
estatal Caern. Esta o traz da barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em
Itajá, através de um braço da adutora Sertão-Central Cabugi que se estende até
à cidade de Riachuelo.
NUTRIENTES
Embora
se trate de um curso temporário e não tenha voltado a se avolumar além da
superfície no trecho em que se encontra a horta comunitária, o rio dos Ventos
mantém umidade no subsolo durante todo o ano, o que reduz a exigência de água
de outras fontes para a irrigação.
Além
disso, acrescentam os horticultores, o solo do leito do rio é o que mais contém
recursos que podem alimentar as plantas, graças aos nutrientes minerais e
orgânicos que as cheias arrastaram para lá e por lá ao longo de décadas e mesmo
séculos, a despeito de nos últimos vinte anos o fenômeno não se estar
repetindo, devido aos barramentos feitos no curso anterior do caminho dágua.
PAGAR PELO POÇO
Para
continuar a incentivar a horticultura comunitária, o município terá que não
apenas continuar a comprar água à Caern, mas bancar a extensão de canais para
que o líquido chegue até a área a ser plantada.
Caso
prefira perfurar um poço com este objetivo, em lugar de usar a água da adutora,
a prefeitura também terá de arcar com todo o investimento, pois não se
habilitou a obter benefícios do projeto de instalação de equipamentos
comunitários do programa “Água Para Todos”, do governo federal.
Postado às 18h46m de sábado 130518.
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