sexta-feira, 17 de maio de 2013

Prefeita abusa de autoridade na serra da Gameleira


Controle da água é 
instrumento político 
para Conceição e Laécio
Em flagrante de abuso de autoridade e uso indevido de policiais, a prefeita de Caiçara do Rio do Vento, terapeuta ocupacional Conceição de Maria Gomes Lisboa da Rocha tomou na marra as chaves da caixa d’água da serra da Gameleira das mãos do responsável pela sua administração até esta quinta-feira, 16, ontem, constrangendo toda uma família residente no local.
O alvo da ação policial foi dona Severina Acioli, em cujo terreno a prefeitura caiçarense, quando dirigida pelo ex-industrial Felipe Eloi Muller, construiu a caixa d’água que acumula parte do líquido levado até à chã da serra pela adutora que foi batizada com seu nome. 
DUAS INVESTIDAS
A primeira investida foi protagonizada pelo secretário de Obras e Agricultura, servidor público Erasmo Carlos Scapini, que chegou ao local pela manhã, na companhia de policiais militares, exigindo a entrega da chave; dona Severina tentou explicar que a família tomava conta da caixa dágua desde sua inauguração, em 2007, em função de acordo verbal celebrado com o governo municipal.
Como nunca desapropriou a parte do terreno utilizada em função da construção da caixa d’água, a municipalidade se comprometeu a pagar aluguel pelo mesmo, ao mesmo tempo em que designava um filho de dona Severina para administrar o equipamento, assumindo o compromissso de pagar-lhe regularmente um salário.   
DIREITOS DA FAMÍLIA
A proprietária mostrou ao Secretário que não há um documento sequer que demonstre haver sido oficializada a desapropriação do terreno, e Erasmo telefonou para a Prefeita, mostrando a versão de dona Severina. Ato contínuo, porém, Conceição Rocha enviou agentes da polícia civil para ampliar a admoestação à família Acioli.
Só quando os policiais civis chegaram ao local o constrangimento começou a encontrar explicação. A ofensiva teria sido solicitada à prefeita pelo vice-prefeito Laécio Confessor e pelo vereador José Arnor Ambrósio (PSD), que vêm a distribuição da água como instrumento político-eleitoral.
USO POLÍTICO DA ÁGUA
Intriga montada pelos dois apresentou à Prefeita dona Severina como quem sonegava o líquido a correligionários de ambos. Vizinhos aliados a Arnor e a Laécio testemunharam, porém, que, apesar de integrar a oposição a ambos e à Prefeita, dona Severina não discriminava ninguém, democratizando o acesso à água desde a conclusão da inauguração do equipamento.
Os mesmos vizinhos se decepcionaram com a ofensiva da Prefeitura, cometida dezessete dias depois de sua posse. Se pretendia modificar a gestão da caixa dágua, Conceição Rocha deveria e poderia oficiar a dona Severina, para que administrativamente resolvessem a questão.
Caso o diálogo neste âmbito não levasse a bom termo, caberia à Prefeitura recorrer à justiça para receber a caixa d’água e resolver com a família Acioli a dupla questão da desapropriação do terreno e da garantia de todos os direitos trabalhistas ao filho de dona Severina que até ontem trabalhava, efetivamente, na gestão do equipamento.
Em nenhuma hipótese o exercício atrabiliário do poder, com o recurso à força policial, seria recomendável a um prefeito que conhece os limites da lei. Pois se alguém está devendo à lei neste episódio é a prefeitura, não a proprietária do terreno.
Postado às 20h04m de sexta-feira 130517.

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