Controle da água é
instrumento político
para Conceição e Laécio
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O
alvo da ação policial foi dona Severina Acioli, em cujo terreno a prefeitura
caiçarense, quando dirigida pelo ex-industrial Felipe Eloi Muller, construiu a
caixa d’água que acumula parte do líquido levado até à chã da serra pela
adutora que foi batizada com seu nome.
DUAS INVESTIDAS
A
primeira investida foi protagonizada pelo secretário de Obras e Agricultura,
servidor público Erasmo Carlos Scapini, que chegou ao local pela manhã, na
companhia de policiais militares, exigindo a entrega da chave; dona Severina
tentou explicar que a família tomava conta da caixa dágua desde sua
inauguração, em 2007, em função de acordo verbal celebrado com o governo
municipal.
Como
nunca desapropriou a parte do terreno utilizada em função da construção da
caixa d’água, a municipalidade se comprometeu a pagar aluguel pelo mesmo, ao
mesmo tempo em que designava um filho de dona Severina para administrar o equipamento,
assumindo o compromissso de pagar-lhe regularmente um salário.
DIREITOS DA
FAMÍLIA
A
proprietária mostrou ao Secretário que não há um documento sequer que demonstre
haver sido oficializada a desapropriação do terreno, e Erasmo telefonou para a
Prefeita, mostrando a versão de dona Severina. Ato contínuo, porém, Conceição
Rocha enviou agentes da polícia civil para ampliar a admoestação à família
Acioli.
Só
quando os policiais civis chegaram ao local o constrangimento começou a
encontrar explicação. A ofensiva teria sido solicitada à prefeita pelo
vice-prefeito Laécio Confessor e pelo vereador José Arnor Ambrósio (PSD), que
vêm a distribuição da água como instrumento político-eleitoral.
USO POLÍTICO DA
ÁGUA
Intriga
montada pelos dois apresentou à Prefeita dona Severina como quem sonegava o
líquido a correligionários de ambos. Vizinhos aliados a Arnor e a Laécio
testemunharam, porém, que, apesar de integrar a oposição a ambos e à Prefeita,
dona Severina não discriminava ninguém, democratizando o acesso à água desde a conclusão
da inauguração do equipamento.
Os
mesmos vizinhos se decepcionaram com a ofensiva da Prefeitura, cometida dezessete
dias depois de sua posse. Se pretendia modificar a gestão da caixa dágua,
Conceição Rocha deveria e poderia oficiar a dona Severina, para que
administrativamente resolvessem a questão.
Caso
o diálogo neste âmbito não levasse a bom termo, caberia à Prefeitura recorrer à
justiça para receber a caixa d’água e resolver com a família Acioli a dupla
questão da desapropriação do terreno e da garantia de todos os direitos
trabalhistas ao filho de dona Severina que até ontem trabalhava, efetivamente,
na gestão do equipamento.
Em
nenhuma hipótese o exercício atrabiliário do poder, com o recurso à força
policial, seria recomendável a um prefeito que conhece os limites da lei. Pois
se alguém está devendo à lei neste episódio é a prefeitura, não a proprietária
do terreno.
Postado às 20h04m de sexta-feira 130517.
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