quinta-feira, 7 de março de 2013

Falta d´água atrasa extração de esmeralda no RN



Caiçara: sem água, Rio Grande do Norte atrasa a extração de esmeraldas.
O esticamento 2.013 adentro da seca que se instalou no sertão do Rio Grande do Norte no final de 2.011 está provocando em Caiçara do Rio do Vento, a 96 quilômetros de Natal, uma situação incomum à maioria dos demais municípios potiguares: devido à falta de água, a extração de minérios sofre enorme decréscimo.
Em Caiçara do Rio do Vento, município que também espera entrar no roteiro da produção de energias renováveis graças à força eólica que seu nome sugere, a situação em relação a scheelita reproduz o que acontece no vizinho município de Lajes e em outros quadrantes desta unidade federativa, notadamente nas regiões Central e do Seridó.
Singular, mesmo, e tristemente frustrante, em Caiçara do Rio do Vento, entretanto, é o enorme freio que o prolongamento da estiagem impôs a uma atividade que neste início de ano, por todas as previsões técnicas, deveria assumir feições empresariais em substituição a espasmos proporcionados pelo garimpo.
RAUL CAPITÃO
Trata-se da extração em escala de esmeraldas numa jazida descoberta em 2.007 e que na época despertou em Caiçara do Rio do Vento e principalmente na vizinha cidade de Lajes, pólo regional e ancestral cenário de descobertas mineralógicas que enriqueceram algumas pessoas em poucos dias, para cobrar-lhes depois o empobrecimento em grande parte devido à falta de capacidade para conviver com o novo “status” financeiro.
Foi o caso do legendário fazendeiro Raúl Pereira, o “Capitão”, que bamburrou nos anos sessenta. Por coincidência, a jazida de esmeraldas a ser explorada com recursos da moderna tecnologia em Caiçara do Rio do Vento situa-se vizinho às terras da “Mina Bomfim”, que se projetou nacionalmente por ocasião do enriquecimento de Raul. E em áreas de herdeiros dele foram descobertas recentemente novas jazidas de scheelita que, a despeito da extração à antiga, já proporcionou um bom dinheiro à família.   
ESCALA INDUSTRIAL
Pelos planos de uma grande mineradora de Minas Gerais que se associou a grupos estrangeiros para explorar a jazida de esmeraldas caiçarense com grande aporte de capital e tecnologia de ponta, em substituição ao processo intensivo de mão de obra observado nos garimpos do passado, a pedra preciosa não será submetida ao primitivismo do garimpo do passado.
Sua planta industrial, montada em micro-região serrana situada na divisa entre Caiçara, Lajes e São Tomé, deveria começar a operar nos três primeiros meses de 2.013.
Com esta perspectiva, a empresa já contava com um bom cadastro de trabalhadores caiçarenses para mobilizar na medida em que o processo fosse engrenando. Em boa parte, a lista de candidatos a emprego é formada por trabalhadores que um dos sócios da empresa chegou a mobilizar num funcionamento experimental, há alguns anos, e teve que desativar em função da necessidade de procurar um aporte de capital maior do que poderia prover sozinho.
IGUAIS ÀS DE MINAS E BAHIA
Situada entre as mais valiosas pedras preciosas, como o diamante e o rubi, a esmeralda do Rio Grande do Norte tem equivalência, em termos de qualidade, com as extraídas nos pólos tradicionais do segmento mineral no Brasil, Bahia, Goiás e principalmente Minas Gerais.
Como diz o geólogo Paulo Henrique da Silva Lopes, diretor da Jóia Geo-Gemologia Ltda, de São Paulo, e considerado uma das maiores autoridades em pedras preciosas no Brasil, “as jazidas de esmeraldas de Minas Gerais, da Bahia e do Rio Grande do Norte, apesar de pertencerem a unidades estratigráficas diferentes, são do mesmo tipo genético, o tipo xisto, onde uma rocha ultramáfica rica em cromo é permeada por magmas graníticos ricos em berílio, gerando o ambiente propício para a formação de esmeraldas: os flogopita-xistos com veios quartzo-feldspáticos”.
INVESTIR EM ÁGUA
A extração da esmeralda em processo industrial, como pretende a mineradora de Caiçara do Rio do Vento, demanda a utilização de muita água, o que não apareceu nas serras vizinhas à jazida potiguar neste início de ano.
Conhecendo a decisão adotada agora pela mineradora, que tem escritório em Caiçara do Rio do Vento, moradores da sede do município estranham que ela estivesse confiando num bom inverno para começar a produzir. De modo geral, dizem, as previsões dos especialistas em clima no Nordeste têm indicado que a seca se prolongará e talvez piore ainda mais este ano, em relação ao que mostrou em 2.012.
Além disso, acrescentam, o problema circunstancial recomenda que, se acredita no potencial da área para a extração de esmeraldas, como procura demonstrar, a mineradora deve logo dotar-se de um dispositivo capaz de assegurar alguma perenidade na captação da água necessária ao funcionamento da planta industrial. Uma idéia seria tentar construir um grande açude para barrar cursos de algum rio com potencial, como o Novo, que banha quase todo o município. Outra seria tentar cavar poços profundos a fim de assegurar-se de que a falta d’água não interromperá suas atividades.
(Postada às 20h53m de quinta-feira 130307).

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