Caiçara: sem água, Rio Grande do Norte atrasa a extração de esmeraldas.
O
esticamento 2.013 adentro da seca que se instalou no sertão do Rio Grande do
Norte no final de 2.011 está provocando em Caiçara do Rio do Vento, a 96
quilômetros de Natal, uma situação incomum à maioria dos demais municípios
potiguares: devido à falta de água, a extração de minérios sofre enorme decréscimo.
Em
Caiçara do Rio do Vento, município que também espera entrar no roteiro da
produção de energias renováveis graças à força eólica que seu nome sugere, a
situação em relação a scheelita
reproduz o que acontece no vizinho município de Lajes e em outros quadrantes desta
unidade federativa, notadamente nas regiões Central e do Seridó.
Singular,
mesmo, e tristemente frustrante, em Caiçara do Rio do Vento, entretanto, é o
enorme freio que o prolongamento da estiagem impôs a uma atividade que neste
início de ano, por todas as previsões técnicas, deveria assumir feições empresariais
em substituição a espasmos proporcionados pelo garimpo.
RAUL CAPITÃO
Trata-se
da extração em escala de esmeraldas numa jazida descoberta em 2.007 e que na época
despertou em Caiçara do Rio do Vento e principalmente na vizinha cidade de
Lajes, pólo regional e ancestral cenário de descobertas mineralógicas que
enriqueceram algumas pessoas em poucos dias, para cobrar-lhes depois o
empobrecimento em grande parte devido à falta de capacidade para conviver com o
novo “status” financeiro.
Foi
o caso do legendário fazendeiro Raúl Pereira, o “Capitão”, que bamburrou nos
anos sessenta. Por coincidência, a jazida de esmeraldas a ser explorada com
recursos da moderna tecnologia em Caiçara do Rio do Vento situa-se vizinho às
terras da “Mina Bomfim”, que se projetou nacionalmente por ocasião do
enriquecimento de Raul. E em áreas de herdeiros dele foram descobertas
recentemente novas jazidas de scheelita
que, a despeito da extração à antiga, já proporcionou um bom dinheiro à
família.
ESCALA
INDUSTRIAL
Pelos
planos de uma grande mineradora de Minas Gerais que se associou a grupos
estrangeiros para explorar a jazida de esmeraldas caiçarense com grande aporte
de capital e tecnologia de ponta, em substituição ao processo intensivo de mão
de obra observado nos garimpos do passado, a pedra preciosa não será submetida
ao primitivismo do garimpo do passado.
Sua
planta industrial, montada em micro-região serrana situada na divisa entre
Caiçara, Lajes e São Tomé, deveria começar a operar nos três primeiros meses de
2.013.
Com
esta perspectiva, a empresa já contava com um bom cadastro de trabalhadores caiçarenses
para mobilizar na medida em que o processo fosse engrenando. Em boa parte, a
lista de candidatos a emprego é formada por trabalhadores que um dos sócios da
empresa chegou a mobilizar num funcionamento experimental, há alguns anos, e
teve que desativar em função da necessidade de procurar um aporte de capital maior
do que poderia prover sozinho.
IGUAIS ÀS DE
MINAS E BAHIA
Situada
entre as mais valiosas pedras preciosas, como o diamante e o rubi, a esmeralda
do Rio Grande do Norte tem equivalência, em termos de qualidade, com as
extraídas nos pólos tradicionais do segmento mineral no Brasil, Bahia, Goiás e
principalmente Minas Gerais.
Como
diz o geólogo Paulo Henrique da Silva Lopes, diretor da Jóia Geo-Gemologia Ltda,
de São Paulo, e considerado uma das maiores autoridades em pedras preciosas no
Brasil, “as jazidas de esmeraldas de Minas Gerais, da Bahia e do Rio Grande do
Norte, apesar de pertencerem a unidades estratigráficas diferentes, são do
mesmo tipo genético, o tipo xisto, onde uma rocha ultramáfica rica em cromo é
permeada por magmas graníticos ricos em berílio, gerando o ambiente propício
para a formação de esmeraldas: os flogopita-xistos com veios
quartzo-feldspáticos”.
INVESTIR EM ÁGUA
A
extração da esmeralda em processo industrial, como pretende a mineradora de
Caiçara do Rio do Vento, demanda a utilização de muita água, o que não apareceu
nas serras vizinhas à jazida potiguar neste início de ano.
Conhecendo
a decisão adotada agora pela mineradora, que tem escritório em Caiçara do Rio
do Vento, moradores da sede do município estranham que ela estivesse confiando
num bom inverno para começar a produzir. De modo geral, dizem, as previsões dos
especialistas em clima no Nordeste têm indicado que a seca se prolongará e
talvez piore ainda mais este ano, em relação ao que mostrou em 2.012.
Além
disso, acrescentam, o problema circunstancial recomenda que, se acredita no
potencial da área para a extração de esmeraldas, como procura demonstrar, a
mineradora deve logo dotar-se de um dispositivo capaz de assegurar alguma
perenidade na captação da água necessária ao funcionamento da planta
industrial. Uma idéia seria tentar construir um grande açude para barrar cursos
de algum rio com potencial, como o Novo, que banha quase todo o município.
Outra seria tentar cavar poços profundos a fim de assegurar-se de que a falta d’água
não interromperá suas atividades.
(Postada
às 20h53m de quinta-feira 130307).
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