Diante das suspeitas, Henrique e Etinho "renunciaram" Faustino
São densamente obscuros os fatos contados
em Caiçara do Rio do Vento a respeito do processo que levou o vereador Daniel
Faustino a perder a presidência do diretório municipal do PMDB. Todas as
narrativas convergem para um ponto: apesar de haver afixado no portal físico da
câmara municipal - que preside interinamente desde janeiro - um documento
oficializando sua renúncia ao cargo, Faustino teria sido afastado, na prática,
pelo comando regional da agremiação.
Faustino perdeu sustentação no cargo quando
chegaram à tona dos expoentes do PMDB em Caiçara do Rio do Vento informações
sobre entendimentos que havia costurado, à revelia dos correligionários, com
alguns adversários.
VENDER A LEGENDA
O que mais chamou atenção foi sua tentativa
de atrelar a legenda à intenção que a prefeita interina, vereadora Conceição de
Maria Fernandes, mais conhecida em Caiçara do Rio do Vento como “Coinha”,
ensaiou de tentar ficar quatro anos na chefia do executivo.
A articulação e o engajamento do diretório
municipal do PMDB na campanha de “Coinha” não prosperaram porque o presidente
local do partido da prefeita interina, odontólogo e ex-prefeito Emmanoel Gerson
de Andrade, o “Nenéu”, vetou a candidatura dela porque sua agremiação já estava
comprometida com a da terapeuta ocupacional Conceição de Maria Lisboa, a
“Ceiça”, indicada pelo Dem.
Dias antes de receber o veto de “Nenéu” e
contando com a garantia de que o PMDB respaldaria seu projeto, “Coinha” chegou
a costurar outros acordos para disputar a prefeitura. Nesta fase, ela convidou
o empresário Francisco Canindé Ribeiro, ex-gerente do posto automotivo Frei
Damião, o único de Caiçara do Rio do Vento, para ser candidato a vice-prefeito
em sua companhia.
INTERESSE PRÓPRIO
Assim que o comprometimento do partido à
revelia de seus principais líderes em Caiçara do Rio do Vento chegou ao
conhecimento do principal destes, o servidor público e ex-prefeito Edson
Barbosa, o “Etinho”, correligionários de Faustino começaram a juntar fatos e
chegaram à conclusão de que o vereador teria negociado a legenda em outras
oportunidades.
No final de dezembro, por exemplo, foi ele
quem encaminhou a bancada do PMDB na câmara caiçarense para entregar a
presidência da casa a “Coinha”. Para o público peemedebista, ele defendia o
partido contra negociações que a vereadora Joelma Wilma de Andrade, da sua
legenda, havia pactuado com os adversários para com os votos destes conquistar
a presidência. Para adversários com os quais se entendia, esgrimiu o veto que
os outros três vereadores peemedebistas teriam oposto à candidatura de Joelma.
Jogando assim, negociou a presidência para
Coinha e a primeira vice-presidência para si, na esperança de que a colega, no
exercício do governo municipal, topasse disputar a prefeitura quando a justiça
eleitoral agendasse a eleição. Desta forma, a presidência da câmara cairia
confortavelmente em seu colo num encadeamento de atitudes que escaparam ao
controle do líder local do PMDB.
CHEQUE EM BRANCO
Examinando retrospectivamente o episódio,
correligionários formais de Faustino dizem que na época, pensando apenas em
assumir a qualquer custo a presidência da câmara, o vereador persuadiu colegas
de bancada a fornecerem um cheque em branco a Coinha, que passou a governar sem
ouvir a legenda. E garantem que nunca receberam o aval de Etinho os conchavos
em que Faustino investiu, a partir do início de janeiro, com o propósito de
levar o PNDB a apoiar a candidatura de Coinha para prefeito.
Avançando ainda mais nesse mar de nós pelas
costas, os peemedebistas checaram informações segundo as quais já no segundo semestre
do ano passado Faustino teria preterido o partido em função de seus interesses.
Vários fatos vieram então à superfície.
SUBSTITUIR ETINHO
Um deles teria ocorrido ainda na campanha
pela prefeitura, quando Caiçara do Rio do Vento deixou de eleger seu governante
porque o mais votado estava impedido de disputar o cargo.
Peemedebistas tinham dito ainda em setembro
que Faustino não estava contribuindo para o sucesso do cabeça de chapa de seu
partido. Mal era visto perto do candidato do PMDB e, por debaixo do pano,
haveria pactuado seu apoio ao prefeitável adversário, o jovem Felipe Muller,
presidente do PP caiçarense.
Nesta fase, a propósito, um “erro de
programação” fez até com que um veículo do vereador, caracterizado com a
propaganda eleitoral de Faustino, fosse visto ao participar ostensivamente de
movimentações de rua promovidas pelo PP.
Ao longo desses meses e sempre em contato
com adversários, o vereador usou a presidência do diretório municipal para
criar e fortalecer vínculos próprios com os líderes regionais do PMDB e aplicar
um “cerca Lourenço” em Etinho. Ele teria participado até de uma ofensiva
diplomática através da qual o ex-prefeito Felipe Eloy Muller, hoje desafeto de
Etinho, procurou se reaproximar do presidente regional do PMDB, deputado
Henrique Eduardo Alves.
Na ocasião, como foi divulgado na época,
Henrique Eduardo enviou a Felipe o aviso solidário de que ao parlamentar ele só
voltaria se conduzido pelo ex-prefeito Edson Barbosa, “o líder do PMDB em
Caiçara”.
SEM PERDER VOTOS
Conferidas estas e outras informações,
correligionários concluíram que o vereador traiu os interesses do PMDB em pelo
menos três ocasiões marcantes – a campanha eleitoral do ano passado, a escolha
do presidente de câmara que assumiria interinamente a prefeitura de Caiçara
podendo, com a caneta na mão, tentar se transformar em prefeito efetivo até
2.016, e ao negociar com adversários em detrimento da candidatura própria de
sua legenda à chefia do executivo.
Pressionaram então Etinho no sentido de
empalmar logo o comando do partido em Caiçara do Rio do Vento, afastando
Faustino da presidência do diretório, sob pena de perderem completamente o
controle da situação na legenda e a partir desta.
Ponderaram, inclusive, que em termos de
votos a defenestração de Faustino não traria prejuízos ao candidato do PMDB
porque o vereador já não orientou seus eleitores a votar no prefeitável de sua
agremiação em 2.012.
Persuadido pelos correligionários, Etinho procurou
então conquistar o respaldo de Henrique Eduardo, também presidente da câmara
federal, para a defenestração do vereador.
ENCENAÇÃO
Concordando, o parlamentar sugeriu que a
servidora pública Teresa Cristina Andrade Barbosa, esposa de Etinho e
ex-secretária de Finanças da prefeitura, assumisse a presidência de uma
comissão provisória que substituiria a encabeçada por Faustino.
Assegurando que Faustino “não renunciou,
foi renunciado”, os informantes garantem que o vereador sabia que havia perdido
a presidência do partido para Teresa quando maquinou a formalização de sua
renúncia e arrastou na mumunha o ex-vereador Marcos Bezerra Valentim, o “Marcos
da Ubaia”, até então primeiro vice-presidente da agremiação.
Sabendo-o afastado do comando local do PMDB
desde muito antes da campanha do ano passado, e principalmente montando o
enredo dessa montagem com orientação de adversários do partido, Faustino
ensaiou entregar formalmente a presidência do diretório a Marcos. Imediatamente
este cumpriria sua parte no “script” escrito com outras legendas, recusando-se
a assumir a presidência que já sabia fora de seu alcance porquanto já havia
sido entregue a Teresa.
(Postado às 10h31m de quinta-feira 130307).
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