quinta-feira, 7 de março de 2013

Faustino caiu, não renunciou à presidência



Diante das suspeitas, Henrique e Etinho "renunciaram" Faustino
São densamente obscuros os fatos contados em Caiçara do Rio do Vento a respeito do processo que levou o vereador Daniel Faustino a perder a presidência do diretório municipal do PMDB. Todas as narrativas convergem para um ponto: apesar de haver afixado no portal físico da câmara municipal - que preside interinamente desde janeiro - um documento oficializando sua renúncia ao cargo, Faustino teria sido afastado, na prática, pelo comando regional da agremiação.
Faustino perdeu sustentação no cargo quando chegaram à tona dos expoentes do PMDB em Caiçara do Rio do Vento informações sobre entendimentos que havia costurado, à revelia dos correligionários, com alguns adversários.
VENDER A LEGENDA
O que mais chamou atenção foi sua tentativa de atrelar a legenda à intenção que a prefeita interina, vereadora Conceição de Maria Fernandes, mais conhecida em Caiçara do Rio do Vento como “Coinha”, ensaiou de tentar ficar quatro anos na chefia do executivo.
A articulação e o engajamento do diretório municipal do PMDB na campanha de “Coinha” não prosperaram porque o presidente local do partido da prefeita interina, odontólogo e ex-prefeito Emmanoel Gerson de Andrade, o “Nenéu”, vetou a candidatura dela porque sua agremiação já estava comprometida com a da terapeuta ocupacional Conceição de Maria Lisboa, a “Ceiça”, indicada pelo Dem.
Dias antes de receber o veto de “Nenéu” e contando com a garantia de que o PMDB respaldaria seu projeto, “Coinha” chegou a costurar outros acordos para disputar a prefeitura. Nesta fase, ela convidou o empresário Francisco Canindé Ribeiro, ex-gerente do posto automotivo Frei Damião, o único de Caiçara do Rio do Vento, para ser candidato a vice-prefeito em sua companhia.
INTERESSE PRÓPRIO
Assim que o comprometimento do partido à revelia de seus principais líderes em Caiçara do Rio do Vento chegou ao conhecimento do principal destes, o servidor público e ex-prefeito Edson Barbosa, o “Etinho”, correligionários de Faustino começaram a juntar fatos e chegaram à conclusão de que o vereador teria negociado a legenda em outras oportunidades.
No final de dezembro, por exemplo, foi ele quem encaminhou a bancada do PMDB na câmara caiçarense para entregar a presidência da casa a “Coinha”. Para o público peemedebista, ele defendia o partido contra negociações que a vereadora Joelma Wilma de Andrade, da sua legenda, havia pactuado com os adversários para com os votos destes conquistar a presidência. Para adversários com os quais se entendia, esgrimiu o veto que os outros três vereadores peemedebistas teriam oposto à candidatura de Joelma.
Jogando assim, negociou a presidência para Coinha e a primeira vice-presidência para si, na esperança de que a colega, no exercício do governo municipal, topasse disputar a prefeitura quando a justiça eleitoral agendasse a eleição. Desta forma, a presidência da câmara cairia confortavelmente em seu colo num encadeamento de atitudes que escaparam ao controle do líder local do PMDB.
CHEQUE EM BRANCO
Examinando retrospectivamente o episódio, correligionários formais de Faustino dizem que na época, pensando apenas em assumir a qualquer custo a presidência da câmara, o vereador persuadiu colegas de bancada a fornecerem um cheque em branco a Coinha, que passou a governar sem ouvir a legenda. E garantem que nunca receberam o aval de Etinho os conchavos em que Faustino investiu, a partir do início de janeiro, com o propósito de levar o PNDB a apoiar a candidatura de Coinha para prefeito.
Avançando ainda mais nesse mar de nós pelas costas, os peemedebistas checaram informações segundo as quais já no segundo semestre do ano passado Faustino teria preterido o partido em função de seus interesses.
Vários fatos vieram então à superfície.
SUBSTITUIR ETINHO
Um deles teria ocorrido ainda na campanha pela prefeitura, quando Caiçara do Rio do Vento deixou de eleger seu governante porque o mais votado estava impedido de disputar o cargo.
Peemedebistas tinham dito ainda em setembro que Faustino não estava contribuindo para o sucesso do cabeça de chapa de seu partido. Mal era visto perto do candidato do PMDB e, por debaixo do pano, haveria pactuado seu apoio ao prefeitável adversário, o jovem Felipe Muller, presidente do PP caiçarense.
Nesta fase, a propósito, um “erro de programação” fez até com que um veículo do vereador, caracterizado com a propaganda eleitoral de Faustino, fosse visto ao participar ostensivamente de movimentações de rua promovidas pelo PP.
Ao longo desses meses e sempre em contato com adversários, o vereador usou a presidência do diretório municipal para criar e fortalecer vínculos próprios com os líderes regionais do PMDB e aplicar um “cerca Lourenço” em Etinho. Ele teria participado até de uma ofensiva diplomática através da qual o ex-prefeito Felipe Eloy Muller, hoje desafeto de Etinho, procurou se reaproximar do presidente regional do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves.
Na ocasião, como foi divulgado na época, Henrique Eduardo enviou a Felipe o aviso solidário de que ao parlamentar ele só voltaria se conduzido pelo ex-prefeito Edson Barbosa, “o líder do PMDB em Caiçara”. 
SEM PERDER VOTOS
Conferidas estas e outras informações, correligionários concluíram que o vereador traiu os interesses do PMDB em pelo menos três ocasiões marcantes – a campanha eleitoral do ano passado, a escolha do presidente de câmara que assumiria interinamente a prefeitura de Caiçara podendo, com a caneta na mão, tentar se transformar em prefeito efetivo até 2.016, e ao negociar com adversários em detrimento da candidatura própria de sua legenda à chefia do executivo.
Pressionaram então Etinho no sentido de empalmar logo o comando do partido em Caiçara do Rio do Vento, afastando Faustino da presidência do diretório, sob pena de perderem completamente o controle da situação na legenda e a partir desta.
Ponderaram, inclusive, que em termos de votos a defenestração de Faustino não traria prejuízos ao candidato do PMDB porque o vereador já não orientou seus eleitores a votar no prefeitável de sua agremiação em 2.012.
Persuadido pelos correligionários, Etinho procurou então conquistar o respaldo de Henrique Eduardo, também presidente da câmara federal, para a defenestração do vereador.
ENCENAÇÃO
Concordando, o parlamentar sugeriu que a servidora pública Teresa Cristina Andrade Barbosa, esposa de Etinho e ex-secretária de Finanças da prefeitura, assumisse a presidência de uma comissão provisória que substituiria a encabeçada por Faustino.     
Assegurando que Faustino “não renunciou, foi renunciado”, os informantes garantem que o vereador sabia que havia perdido a presidência do partido para Teresa quando maquinou a formalização de sua renúncia e arrastou na mumunha o ex-vereador Marcos Bezerra Valentim, o “Marcos da Ubaia”, até então primeiro vice-presidente da agremiação.
Sabendo-o afastado do comando local do PMDB desde muito antes da campanha do ano passado, e principalmente montando o enredo dessa montagem com orientação de adversários do partido, Faustino ensaiou entregar formalmente a presidência do diretório a Marcos. Imediatamente este cumpriria sua parte no “script” escrito com outras legendas, recusando-se a assumir a presidência que já sabia fora de seu alcance porquanto já havia sido entregue a Teresa. 
(Postado às 10h31m de quinta-feira 130307).

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