"Gringo", de camiseta, com Muller, de camisa listrada: o braço violento da coligação.
Buba, com a filha: exame de corpo de delito.
A
tranqüilidade de que a população de Caiçara do Rio do Vento vinha desfrutado
nos últimos dias foi truncada na tarde deste sábado, 9, hoje, por um conflito
de motivação política entre um dos mais freqüentes visitantes do noticiário
policial gerado nesta cidade, o guarda-costas Alfeu D’Agata Junior, vulgo “Gringo
Bosta”, e o comerciário e ex-vereador Watezer Câmara, o “Buba”.
Os
contendores
se encontravamm até este momento na delegacia de polícia de São Paulo
do
Potengí, onde funciona o plantão regional neste fim de semana, e,
segundo consta,
lavram-se ali diferentes boletins de ocorrência por agressão.
Apresentando escoriações, Buba recebeu da delegacia encaminhamento para
submeter-se a exame de corpo de delito no Instituto Técnico-científico de Polícia (Itep), em Natal.
Ainda
são parcas e desencontradas as informações sobre o conflito, ocorrido quando o automóvel
de um passava ao lado do veículo do outro em ruas da sede do município. As
primeiras versões a circular em Caiçara do Rio do Vento sugerem que Alfeu teria
jogado seu automóvel rumo ao de Buba e este o xingou, iniciando-se a troca de
agressões verbais.
‘GRINGO” SANGROU
Caiçarenses
dizem que tudo ficou nisto e o blogueiro dirigiu-se à sede da guarnição local
da polícia militar a fim de denunciar o ex-vereador. Outros dizem que das
palavras os dois passaram ao desforço pessoal e que Buba teria machucado muito
o contendor. Pelo menos uma suposta testemunha declarou a este blog que o
guarda costas saiu do conflito sangrando.
Os
policiais baseados em Caiçara do Rio do Vento ouviram sua denúncia e procuraram
prender o ex-vereador, numa ofensiva que levou muitos conterrâneos a imaginar
que a provocação teria sido ensaiada com fins políticos. Ao lado do também
ex-vereador Francisco Pontes Siqueira, o “Chicão”, ou “Chico de Cosme”,
presidente da câmara municipal até 31 de dezembro último, Buba era o
organizador da primeira movimentação de rua do seu grupo na presente campanha
eleitoral.
Caiçara,
como se sabe, não conseguiu eleger seu prefeito a 7 de outubro último e deverá
fazê-lo a 7 de abril, a exemplo de Serra do Mel.
IMOBILIZAR
ADVERSÁRIOS
A
versão indica que o “Gringo Bosta” desencadeou o conflito em missão de seu
grupo político com o objetivo de imobilizar os adversários deste. Encabeçada
pelo Dem e liderada pelo industrial Felipe Eloy Muller, o grupo quis evitar que
Buba e Chicão obtivessem êxito na movimentação em que apresentariam seus
candidatos a prefeito e vice-prefeito de Caiçara, o comerciante Arnaldo Acioli
e a servidora pública Teresa Cristina Andrade Barbosa, esposa do ex-prefeito
Edson Barbosa, o “Etinho”.
Este
objetivo faria parte de uma estratégia para inibir a ação dos adversários
enquanto a coligação que banca o guarda costas promovesse com sucesso uma
outra, em defesa da candidatura da terapeuta ocupacional Conceição de Maria
Lisboa à prefeitura pelo Dem.
Trazido
para Caiçara do Rio do Vento pelo então candidato a prefeito Felipe Muller,
como seu guarda-costas, Alfeu d’Agata passou a ser conhecido na região como “Gringo
Bosta” ao ser preso pela polícia militar, que o forçou a caminhar pelas ruas da
cidade enquanto os agentes da lei lhe bradavam o epíteto.
AGRESSOR
CONTUMAZ
A
origem de D’Agata, para muitos caiçarenses, é tão nebulosa como a do empresário
que o importou para a cidade, dando-lhe casa e comida e bancando um blog em que
ele vive exortando a violência. Na campanha eleitoral do ano passado, quando
foi candidato a vereador e ficou na rabeira da fila, ao receber apenas dezoito
votos, D’Agata assumiu papel de destaque na adoção de violência contra
adversários, agredindo várias pessoas e formando quadrilhas para agressões a
terceiros.
Pessoalmente
ou através de paus-mandados, agrediu várias mulheres, inclusive uma senhora de
78 anos e a diretora de uma escola municipal, mas durante toda a campanha
conseguiu fazer com que a polícia o considerasse agredido. A 10 de setembro,
fugindo à regra, a polícia federal, na companhia de juíza e promotoras eleitorais,
chegou a invadir a casa de Alfeu, comprovando fraude eleitoral e outros crimes.
Ele não foi preso em flagrante e até hoje a ocorrência não o levou ao banco dos
réus.
Um
dos lances mais ousados que o bando organizado por D’Agata praticou em Caiçara do
Rio do Vento, na campanha de 2.012, foi o atentado contra a vida do editor
deste blog em 14 de setembro último.
Além
de orientar os agressores verbalmente, em reuniões de sua coligação, ele chegou
a postar na internet recomendações para que “Roberto Guedes seja amarrado a um
pelourinho, esquartejado aos poucos e tenha suas carnes cortadas e salgadas até
o último pedaço”. A orquestração chegou a envolver o delegado de polícia que
chefiava a delegacia de plantão em Candelária, na zona sul de Natal, e o líder
do grupo, Felipe Muller, não sofreu qualquer admoestação da polícia ou da
justiça.
MARGINAIS
VOLTARAM
Coincidência
ou não, uma das principais mudanças notadas nas duas últimas semanas em Caiçara
do Rio do Vento foi a volta à cidade de alguns marginais que havia desaparecido
daqui logo depois da temporada eleitoral do ano passado, todos ligados ao “Gringo
Bosta” e aos patrocinadores deste.
A
confiança que moradores de Caiçara do Rio do Vento ainda têm quanto a não se
repetir este ano a onda de crimes contra a pessoa com motivação política
durante esta campanha é o compromisso assumido pessoalmente neste sentido pelo
comandante da polícia militar, coronel Canindé Araújo.
Hoje,
por exemplo, tão
logo soube da ocorrência, em Natal, ele acionou colaboradores diretos
para
evitar que, sem ter partido, a farda servisse a qualquer grupo político.
Enviou a Caiçara do Rio do Vento um oficial de sua confiança, o capitão
Costa, para garantir que a polícia agisse com total isenção e vontade
de servir impessoalmente à população.
(Postado
às 19h41m de sábado 130309).
Transcrito do Blog de Roberto Guedes.
(Postado
às 20h29m de sábado 130309).
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